Para quem gosta de distopias futuristas como Laranja Mecânica ou 1984, recomendo o livro Farenheit 451, de Ray Bradbury.
Essa obra, que eu considero a Nona Sinfonia do Bradbury, conta a história de como a humanidade se tornou burra por vontade própria. Por estar sempre com pressa ou ocupada demais, abrimos mão do conhecimento obtido através dos livros e optamos por formas mais rápidas, porém superficiais.
O resultado disso foi o nascimento de uma maioria burra, que passou a se sentir ofendida pela minoria intelectual detentora de algum conhecimento profundo em certos campos. E para ninguém se sentir infeliz, foi determinada a abolição dos livros. Os responsáveis por manter a ordem desse novo mundo são os bombeiros – que passaram a buscar e queimar livros ao invés de apagar incêndios.

Soa familiar? Os bombeiros da nossa realidade podem não queimar livros, mas estamos caminhando para esse futuro “burro”. Ao invés de nos aprofundarmos nos assuntos que são de nosso interesse, preferimos saber pouco de muitos assuntos. Tudo porque o mundo está cada vez mais rápido e, ao mesmo tempo, mais exigente – temos que saber demais, mas quem tem tempo de ler até mesmo o manual do celular?
Há algum tempo vi essa entrevista com o Isaac Asimov. Ele diz que não consegue se focar em assuntos que não são do interesse dele mas, em compensação, devora informações dos temas que ele se interessa. O resultado disso foram mais de 400 livros escritos com temas de ficção científica, química e astronomia.
Porém, hoje, nós preferimos ler dezenas de verbetes em dez minutos, na Wikipedia ou algo assim, sobre assuntos que não nos interessam do que dedicar um ou dois meses em UM tema que gostamos… O mundo está cada vez mais rápido e ficando cada vez mais estúpido e, quando eu ver um bombeiro com um lança chamas na mão, vou decorar um livro e fugir para as montanhas!
Emburrecimento Voluntário 


